Se me deixa triste que só se dê valor a alguém depois de morto, deixa-me ainda mais triste que haja pessoas sem escrúpulos capazes de dizer coisas perfeitamente desumanas como "finalmente morreu esse comunista, e já disse e repito, o país não está de luto", como se a morte de alguém, por mais diferentes que tenham sido as suas ideologias, fosse capaz de nos trazer alegria.
Há 4 semanas
35 comentários:
Quem disse tamanha barbaridade?!
Hoje assino por debaixo de tudo o que escreves.
Mesmo!!!
Seria bom que quando se deixa de pensar também se estivesse impedido de falar.
Vá, alguém que me entende!
Há fanáticos em todo o lado.
Se tivesse vivido na época do nazismo, teria gostado que o Hitler morresse.
Sim, também gostaria que o Hitler tivesse morrido, vivesse eu naquela altura...
Quanto ao Saramago, sabes a minha opinião. No entanto, trata-se de uma pessoa, logo a morte deve ser sempre sentida. Mais do que isso, faz parte do nosso património cultural. Só não percebi por que o exaltaram como grande cidadão português. Grande escritor e promotor da literatura, língua e cultura portuguesas, sim. Grande cidadão português, that's a no-no. Mesmo que tenha sido desejo dele voltar a Portugal.
Ana Freitas
acontece que Saramago não matou ninguém, não exterminou milhões de pessoas em campos de concentrações, apenas ousou pensar, questionar, sem ter medo de dizer o que pensava. Saramago era um escritor.
Mas para as mentes pequenas, isso é que é perigoso, usar da sua liberdade, pensar pela sua própria cabeça, defender ideais que não sejam os seus, que horror. E depois dizem estas enormidades. Há gente tão cretina que até fico arrepiada.
D. Ana Freitas, então para si Saramago é comparável a Hitler?!
Tá bem tá.
Como dizem no jugular: esta gente passa-se big big time.
errata: campos de concentração. até fico a escrever mal!
P.S. Também não percebo porque não foi bom cidadão: porque criticou, porque disse o que pensava, porque não lambeu botas, porque saiu do país quando este o maltratou, porque apontou erros, porque discordou do que se fez errado?
O que faz um bom cidadão? Certamente não será aceitar passivamente sem questionar todo o poder político, decisões, etc?
Ou um bom pai é o que diz sempre que sim aos filhos? Ou é aquele que os repreende quando se portam mal, que os faz ver as escolhas erradas, que os aconselha, que os critica se achar necessário?
Portugal não é um país perfeito, tem um historial de erros políticos e sociais enorme, e não se é pior cidadão porque se vê esses erros e os denuncia.
Mas pronto, isto sou eu, que gosto de saber dizer o porquê quando emito uma opinião.
ah, só mais uma coisa:
o mais engraçado é que a Ana Freitas, fosse ela alemã a viver na altura de Hitler, provavelmente seria um dos milhões que o seguiu sem questionar - a julgar pela acefalia manifestada neste comentário. duvido que Saramago o fosse, sendo provavelmente assassinado por isso, e considerado um mau cidadão e anti-patriota.
Fogo mas esta gaja não tem mais nada que fazer?...
Ágata
(a bimba e inculta e feia e burra)
Porque disse que Portugal deveria deixar de existir como país e passar a ser uma província espanhola. Isso para mim não é ser bom cidadão. Quanto à questão do prémio para o evangelho, teve toda a razão.
Não foi isso que ele disse, o que ele disse foi:
“Não vale a pena armar-me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos”. (...) Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria”
É diferente partilhar uma previsão e dizer que deveria ser assim. Só é preciso saber ler, e interpretar.
Previsão essa que, que na minha opinião não é estapafúrdia nem me choca por aí além, numa época de globalização e diluição de fronteiras, em que a Europa se torna cada vez mais um espaço comum, em que mais do que países se fala de regiões económicas se fundem.
Mas eu continuo a ser livre de discordar das opiniões dele. A minha opinião não é menos válida, só por não ser o Saramago. Não me agradam as atitudes de "a verdade está do nosso lado e vocês são apenas tacanhos". Não estou a dizer que foi isso que disseste, atenção, mas em geral é essa a atitude relativamente àqueles que não gostam de Saramago.
Claro que sim, toda a gente é livre de discordar, de preferência sabendo porquê.
Mas entre discordar das opiniões e afirmar que era mau cidadão ou compará-lo a Hitler, vai uma diferença, parece-me.
(que eu saiba não roubou o país, subornou, foi corrupto, fugiu aos impostos, etc, coisas que geralmente fazem um mau cidadão)
O meu comentário não pretende ser uma crítica ao homem e muito menos à obra. Não estou a comparar de todo Hitler a José Saramago, estou sim a criticar a forma como este post foi escrito pela autora do blogue: a morte de alguém pode ser justificada e comemorada mediante as suas ideologias. E Hitler tinha a sua ideologia. Se Saramago é mais ou menos comunista, socialista ou que o for, sinceramente estou-me a borrifar para isso. Comentei este post que por acaso falava do escritor português, poderia falar de outro indivíduo qualquer que eu faria exactamente o mesmo comentário.
Mais: lamento profundamente que a Luna tenha repetido o meu comentário no seu blogue gerando instalando a confusão nas mentes das pessoas que o leram e não o entenderam no contexto. Provavelmente eu não me expliquei bem e peço desculpa ou provavelmente a Luna não se esforçou para perceber.
O post foi obviamente escrito dentro de um contexto, a sua comparação é que foi completamente despropositada.
J eu apenas dei um exemplo para ilustrar o meu argumento que é o seguinte: as ideologias definem em grande parte a personalidade do indivíduo, chegando ao ponto de a corromper e, portanto, justificando a morte de alguém, repito: 'se tivesse vivido na época do nazismo, teria gostado que o Hitler morresse'.
Cara Ana Freitas
as mortes não se comemoram, lamentam-se. E creio que este comentário é ofensivo para o homem que morreu, e que eu, pessoalmente, admiro.
Imagine que era uma pessoa da sua família, reagiria assim tão bem à comparação com um dos maiores facínoras da história da humanidade? Não creio.
Não, realmente não quis compreender, porque não me parece compreensível neste contexto. Parece-me, antes de mais, de péssimo gosto. E chocou-me.
Se se falasse de morte em geral, talvez pudesse ser um ponto de vista válido, mas não quando se fala de uma pessoa em particular.
quem é que lamenta/lamentou a morte de Hitler?
Sinceramente acho que se exacerbou o comentário da Ana Freitas... tudo bem que seja um bocado despropositado, mas, como ela explicou (e pessoas tiraram conclusões precipitadas), só estava a atender ao facto de a j ter escrito aquilo sobre as ideologias de uma pessoa. Tudo o resto que acusaram é irrelevante, porque não era disso que a autora do comentário se estava a referir.
Ninguém está aqui a falar de membros de família...
isto chegou a um ponto em que, permita-me, Luna, mas você só está a tentar ridicularizar a questão e a ver maldade onde não há, só para poder ir para o seu blog despejar pérolas e elevá-las ao estatuto de estupidez e de "ih, venham cá ver isto, que gente mais anormal!"
Eu vou repetir: eu não comparei, apenas me limitei a exemplificar o argumento que expliquei no comentário anterior (na altura surgiu-me Hitler porque é talvez um nome mais sonante, que toda a gente conhece e que julgo serem poucos os que lamentam a sua morte. No entanto poderia referir uns quantos dos quais as suas ideologias são altamente reprováveis ou não, mas não deixam de ser ideologias). O problema e o que a provavelmente a chocou foi o facto de este post ter coincidido com a morte de José Saramago (escritor que admira - estamos fartos e cheios de saber que as motivações pessoais influenciam as posições que tomamos) e ainda para mais num post em que o tema era exactamente o mesmo. A primeira dificuldade é, então, a distinção. Atenção, é perfeitamente aceitável. Aliás, como julgo que a autora ao escrever, ‘como se a morte de alguém, por mais diferentes que tenham sido as suas ideologias, fosse capaz de nos trazer alegria’ teve em consideração exclusivamente o sentimento de tristeza que vivenciava e, portanto, desabafou mediante as suas motivações pessoais. Deixemos Saramagos e afins de lado (não estou a dirigir-me a ninguém em particular e daí a má interpretação) e centremos as atenções no que eu pretendo apontar: ideologias. Neste contexto o exemplo da família é inteiramente inconveniente, uma vez que eu não estou a comparar pessoas – ex: o meu tio morre, o meu tio era comunista - isso não invalida o facto de eu achar que existem ideologias políticas (neste caso) que não justificam o lamento da morte do seu precursor (como é o caso das ideologias nazis e consequentemente de Hitler).
Conclusão: as ideologias condicionam sim a forma como cada um reage a esta ou a outra morte, sejam elas do ponto de vista ético reprováveis ou não (cada um pode contra-argumentar como quiser). Era só isto. Sem circo, nem ‘cretina’ à mistura, pf.
Continuo a achar que dar como exemplo Hitler, ao falar-se de ideologias políticas, é infeliz.
A frase ‘como se a morte de alguém, por mais diferentes que tenham sido as suas ideologias, fosse capaz de nos trazer alegria’ tinha um destinatário em particular, que não era um assassino, pelo que no contexto proferido - relativo a pessoas que, tendo ideologias diferentes, não são criminosas - me pareceu abusivo.
"ex: o meu tio morre, o meu tio era comunista - isso não invalida o facto de eu achar que existem ideologias políticas (neste caso) que não justificam o lamento da morte do seu precursor (como é o caso das ideologias nazis e consequentemente de Hitler)"
Não me parece que as ideologias políticas em si sejam razão para que não se lamente uma morte de alguém, mas aquilo que se fez com essas ideologias. E muito menos se as ideologias que se defende não são em si criminosas. Ser-se comunista, ou o que quer que seja politicamente, é diferente de se concordar com o extermínio de milhões de pessoas, pelo que não me parece que sejam "ideologias" comparáveis per se.
Pelo que, mais uma vez, volto a dizer que achei o paralelismo altamente infeliz.
Dizzy
cada vez que vejo este tipo de comentários, lembro-me de Pilar, do que ela estará a sofrer com a perda do homem que amava, penso na família dele, e, embora não sendo da minha família, acho que merecem respeito e compaixão, e creio que ficariam extremamente magoados com este tipo de comentários. Não é questão de querer ver maldade, mas de, de facto, me ter chocado a displicência com que se diz uma coisa destas.
A Luna continua a insistir num 'paralelismo' de que eu não falei, quem está a comparar é a Luna e não eu! Se quiser continuar a fazer acusações com base em citações que em nada fundamentam o seu ponto de vista é consigo, atrevo-me a dizer que de uma forma muito geral (e não em particular no seu caso) a blogoesfera é muitas vezes alimentada por isso. Quando diz, "o me parece que as ideologias políticas em si sejam razão para que não se lamente uma morte de alguém, mas aquilo que se fez com essas ideologias. E muito menos se as ideologias que se defende não são em si criminosas. Ser-se comunista, ou o que quer que seja politicamente, é diferente de se concordar com o extermínio de milhões de pessoas" concordo inteiramente consigo e assino por baixo, mas criminosas ou não, não deixam de ser ideologias (que assentam, neste caso, num pérfido 'darwinismo social'), tanto é que Lenine foi líder do partido comunista soviético, como sabemos, e considerado o 'pai' dos campos de concentração.
A displicência de que fala é muito pouco rigorosa, só porque eu não lamentei a morte do escritor no comentário não significa que eu não a lamente, o contexto é que era exactamente outro,e neste contexto pode contra-argumentar como achar. Permita-me então dizer que houve uma certa impostura ao exacerbar o meu ponto de vista.
@Ana Freitas
Admiro-a por ter tido tanta paciência para argumentar com a Luna, eu não teria tido. É que essa menina tem que ter sempre razão. Mesmo depois de toda a sua argumentação, continuou a afirmar no blog dela que você tinha feito um paralelismo qualquer e blá, blá, blá. Não sei como ainda há quem a ature.
Mara, minha cara
o post no meu blog foi antes das explicações da Ana Freitas, e possivelmente, caso a Ana Freitas tivesse explicado o seu ponto de vista logo de início, nem o teria postado. Mas como não tenho hábito de apagar posts, por lá ficou, já mais que esquecido, quando esta discussão continuou.
Eu também não sei como é que há quem me ature, eu própria tenho algumas dificuldades, mas que quer, não sou dada ao suicídio. Desculpe lá qualquer coisinha.
@Luna
Lá está, tem sempre que ter a última palavra...
Enfim, eu nem sei porque é que se deu ao trabalho de responder, se não era para si.
Porque falou em mim?
(não sei, aquela coisa das pessoas falarem sobre nós em público e para toda a gente ver dá-nos o direito de responder. se eu falasse da cara mara com alguém num comentário de blog, talvez a cara mara achasse que tinha algo a dizer sobre isso, não?)
@Luna
Falei em si porque calhou ser a Luna a exacerbar esta questão, se tivesse sido outra pessoa não falava em si, não acha?
Mas tem toda a razão, tem todo o direito a responder. Mas não acha que já está na hora de descer do seu pedestal? É que a cara Luna não é a dona da verdade. Todos têm direito à sua própria opinião.
E mais, aquilo que fez no seu blog foi vergonhoso, pois retirou o comentário do contexto em que se inseria e enxovalhou publicamente alguém que nem conhece (digo eu, se calhar até são grandes amigas). E o mínimo que podia fazer era retratar-se, publicamente, perante a Ana Freitas.
Eu percebi perfeitamente o comentário da Ana Freitas. E concordo. Só não percebe quem não quer. Ou, neste caso, quem está tão doente com a morte do homem que não consegue ver mais nada à sua frente. A Luna o que fez foi retirar o comentário dentro do contexto e enxovalhar a Ana no seu blog. Aliás, é que ela tem feito no seu blog há já algum tempo. Enxovalhar opiniões de pessoas, qual amazona dona da verdade que tem prazer em chamar de burras e ignorantes a quem não concorda consigo. Basta ler dois ou três posts do seu blog.
@Cátia Gomes
Concordo 100% consigo.
Eu não tenho nada contra a Luna, pois que não a conheço, e até acho que deve ser uma pessoa muito inteligente, mas já não a suporto. Houve uma altura em que era leitora assídua do blog, mas agora só lá passo de vez em quando e parece-me que vou deixar de o fazer de vez, porque a arrogância começa a superar a inteligência.
@j.
Obrigado pelo "tempo de antena" que me tem dado, mas não quero que pense que estou aqui a lavar roupa suja, por isso, sinta-se à vontade para não publicar este meu comentário (que é o último da saga Luna).
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